quarta-feira, maio 04, 2005

MENSAGEM DE SUA EXA. O PRESIDENTE HETEROFTALMOLÓGICO



Como devem ter reparado o heteroftalmia tem estado parado. E vai continuar em estado letárgico até que o dono lhe dê na cabeça voltar a escrever coisas introvertidas e outros disparates. Até lá, podem continuar a lê-lo aqui.

terça-feira, abril 19, 2005

CURTAS E GRO[Z]AS IV


«Conclave Rénico»

A pedido de várias famílias aqui vai o cartoon de um evento de proporções cósmicas.

O SOM DOS DIAS IX

Música doutro tempo
«La Primavera»
Antonio Vivaldi, «Le quattro stagioni», "Concerto em Mi Maior, RV269 - La Primavera" (século XVIII)

«Le quattro stagioni - Antonio Vivaldi», Resonare Records& Bajja Records, «Museu dos Sons - Público», CD 12, faixa 1, 2002


Música deste tempo
«Menina dos meus olhos»
José Mário Branco (1997)

Fosse a menina dos meus olhos puta
e fornicara com as televisões
as duas novas da greta e da gruta
e as duas velhas pelas mesmas razões

rectangular e omnipresente nesga
que tem pra tudo as melhores soluções
fosse a menina dos meus olhos vesga
logo lhe dera as suas atenções

ai fosses tu menina dos meus olhos
com teus lacinhos e caracóis
a inocência vai nos entrefolhos
e fica a pátria amada em maus lençóis

entram pelas casas sem ser convidados
tempos de antena e outros futebóis
ficaram todos mais bem informados
opinião pública dos o...rinóis

são cus e mamas a dançar de gatas
mailas gravatas dos seus figurões
as euforias ficam mais barata
se domesticam-se as excitações

pobre menina ficas à janela
depenicando as tuas distracções
lavas a loiça fazes a barrela
mas essa merda não cede às pressões

os antropófagos das nossas dores
tomaram conta da aldeia global
fazem milhões a converter horrores
em audiências de telejornal

o insuportável torna-se rotina
e a realidade já é virtual
a dor da gente é inesgotável mina
que lhes rentabiliza o capital

as reportagens e as telenovelas
juntam os trapos pezinhos de lã
com a verdade ali a olhar pra elas
histórias da civilização cristã

já não é sangue o líquido vermelho
que nos reserva o dia de amanhã
e tu menina vais-te vendo ao espelho
e sofres dos dois lados do ecrã

noventa e quatro chegou à cidade
noventa e oito está quase a chegar
fez vinte aninhos a nossa liberdade
já é bem tempo de a desvirginar

e se o dinheiro não dá felicidade
televisões bem a puderam dar
talvez que para manter a sanidade
eu chegue ao ponto de ter que cegar

e a menina dos meus olhos há-de
conseguir ver para além do meu olhar

«José Mário Branco, ao Vivo em 1997», CD2, faixa 3, 1997


Música sem tempo
«Cagando pr'o...»
Francisco Domingos Horta (1999)

Cagando pr'o PPD
Cagando pr'o CDS
Eu caguei pr'o PCP
E também caguei para o PS

Eu caguei pr'o Balsemão
Pr'o Freitas do Amaral
Eu caguei para o Cunhal
E o Bochechas fecha a mão

Vai o maior cagalhão
Que em toda a vida caguei
E também caguei pr'o rei
O senhor Ribeiro Teles
Cago pr'a todos eles
Cagando pr'o PPD

Eu caguei pr'o presidente
Caguei pr'as Forças Armadas
Eu faço as minhas cagadas
Cagando pr'a toda a gente
E quem não estiver contente
Ainda mais me merda merece

Porque eu nunca me esquece
Lá debaixo do sobreiro
Caguei pr'o senhor Saleiro
Cagando pr'o CDS

Eu caguei para o ministro
Cá da nossa agricultura
Cago sempre com fartura
Porque eu no cagar estou bem visto

E ainda correm o risco
D'eu cagar pr'a quem não sei
Cago pr'a quem fez a lei
Que me proibiu de cagar
Mandando o cinto apertar
Eu caguei pr'o PCP

Caguei pr'a democracia
Caguei pr'o socialismo
Caguei pr'o comunismo
E caguei para a monarquia
E mais cagar já não podia
Mesmo que eu cagar quisesse

O muito cagar aquece
As bordas de um cu bendito
Que cagou cozido e frito
E caguei para o PS

Porque eu caguei a bem cagar
Como há muito não cagava
E não pude cagar pr'a mais
Porque a merda não chegava

«No paraíso real - Tradição, revolta e utopia no Sul de Portugal», faixa 16, 1999

sexta-feira, abril 15, 2005

MAIS VALE UM ABORTO NO BALDE QUE DOIS A ANDAR I


«Vera Drake», Mike Leigh, 2004

O retrato do Portugal contemporâneo.

quinta-feira, abril 14, 2005

PIADAS CORPORATIVAS I


Casa da Música, Porto, OMA - Office of Metropolitan Architecture [Rem Koolhas, Ellen van Loon e outros] (1998-2005)

Álvaro Siza Vieira no Jornal da Noite da SIC a propósito da Casa da Música: "Gostei do projecto pela polémica que gerou".

P.S. Já agora, e sem cinismo, parabéns à cidade do Porto.

quarta-feira, abril 13, 2005

INSTITUTO HETEROFTALMOLÓGICO DE ESTATÍSTICA I

Das cerca de 170(0) visitas que este blogue já recebeu, uma boa parte deveu-se a algum tipo de procura através do Google. As palavras mais comuns através das quais os visitantes chegam a este antro de anti-clericalismo são (numa ordem mais ou menos irracional):

1. heteroftalmia
2. transsexualidade
3. apotemnofilia
4. loira
5. Lorena Verdun
5. Özgen e Özmen
6. Maurizio Cattelan
7. Le Clézio
8. Né Ladeiras
9. "puestos están frente a frente"
10. discoteca; Figueira da Foz
11. encefalografia
...

Análise: Se exceptuarmos (por razões óbvias) a primeira palavra da lista, é justo pensar que «cono» e «cunnus» passarão, em breve, a liderar o top.

segunda-feira, abril 11, 2005

NÃO BATAM MAIS NO CEGUINHO II

EM DIÁLOGO INTERMITENTE COM O JORNAL «PÚBLICO»

«História Universal do Cono»

Depois de nos obrigar a comprar a revista XIS, depois de ter dado a palavra aos politraumatizados do Campo Pequeno, através de uma revista que um dia se chamará «Antártico» (quando Bush cair do poleiro, só vejo no «Abominável Homem das Neves» uma aproximação às ideias de tão nobre colectânea de «ostracizados pensadores»), o jornal «Público» ofereceu-nos no domingo passado (dia 10 de abril) o primeiro volume de uma enciclopédia de «História Universal».

Esta nova colecção conta com a «chancela» da editora espanhola Salvat e para ela contribuíram um sem-número de cientistas do país vizinho. Não fosse o caso de Helena Matos ser ela própria uma «criação administrativa» de José Manuel Fernandes e veríamos a senhora a soltar palhaçadas a propósito desta ingerência na «soberania científica» nacional.

Assim sendo, sem a ajuda da «Atlântica» Helena Matos lá terei de ser eu a soltar as ditas «palhaçadas»: Anunciada em grandes parangonas a qualidade da editora Salvat e a revisão técnica do Prof. Doutor Luís Adão da Fonseca é caso para perguntar onde está uma e outra? Sei que foi à borla (que peso na consciência se eu tivesse dado logo os €9,90 que esta porra custará todas as semanas!!!), mas com pérolas deste género: "O Sol é o único astro do seu sistema que possui características de estrela" ou "Imagem da Nebulosa Cono"; que devemos pensar das ditas parangonas? Das duas uma: ou a Salvat tem a qualidade dos produtos Ferrero (mesmo no Inverno) ou o Prof. Doutor Luís Adão da Fonseca passou pelas brasas quando estava a fazer a revisão técnica.

Sei que já existe (procure «cunnus» aqui), mas que tal oferecerem-nos uma «História Universal do Cono»? É que História barata e falta de cultura científica já temos quanto baste!

sábado, abril 09, 2005

O SOM DOS DIAS VIII

Música doutro tempo
“Wohin flohn die Wonnestunden”
Wolfgang Amadeus Mozart, «Die Hochzeit des Figaro», (1786)


Sagt, holde Frauen, die ihr sie kennt,
Sagt, ist es Liebe, was hier so brennt?
Was mir geschehen, ist mir so neu,
Kann's nicht verstehen, was es nur sei.
Sehnend Verlangen schwellt mir die Brust,
Freudiges Bangen, leidvolle Lust!
Durch alle Glieder strömt's glühend heiß,
Ach, und dann wieder werd ich zu Eis.
In weiter Ferne winkt mir das Glück,
Doch will ich's fassen, weicht es zurück.
Ich seufz und stöhne als wie im Traum.
Es quillt die Träne, ich weiß es kaum.
Bei Tag und Nacht durchwühlt mich der Schmerz,
Und doch wie gerne trägt ihn mein Herz!
Sagt nun, ihr Frauen, die ihr sie kennt,
Sagt, ist es Liebe, was hier so brennt?


Música deste tempo
«Oceano»
Caetano Veloso [letra: Djavan] (1993?)

Assim que o dia amanheceu
lá no mar alto da paixão
dava pra ver o tempo ruir
cadê você? Que solidão! Esquecera de mim?

Enfim, de tudo o que há na terra
não há nada em lugar nenhum
que vá crescer sem você chegar
longe de ti tudo parou
ninguém sabe o que eu sofri

Amar é um deserto e seus temores
vida que vai na sela destas dores
não sabe voltarme dá seu calor

Vem me fazer feliz porque eu te amo
você deságua em mim e eu oceano
e esqueço que amar é quase uma dor

Só sei viver se for por você

«Circuladô Vivo», Caetano Veloso, faixa 11, 1993


Música sem tempo
«Mazurca»
Brigada Vítor Jara (1995)

«Mazurca», Brigada Vítor Jara, faixa 6, 1996

DE IMAGENS E BAGAGENS I


Miguel Gonçalves Mendes e Mário Cesariny, «Autografia», 2004, Documentário de Miguel Gonçalves Mendes

O abraço àquele que se sabe morto ou as memórias de um palhaço que já não pertence, ou não quer pertencer, a este circo à beira-mar plantado.